Musicas

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Guerra...

Onde estás papá????
Mamã tenho frio...tu nunca me deixas-te com frio.
Onde estás mamã???
Será que estou dentro de mais um dos meus sonhos, que não tenho frio, e que vocês estão a olhar para mim?
Não gosto do que estou a sentir, é como se não existisse nada à minha volta.
Nem o meu ursinho está aqui, a minha bola, o lego que o pai me ajudou a construir, a casinha com que varias vezes brinquei com a mamã.
Quero acordar, não gosto deste sonho, tenho frio mamã, vem para junto de mim papá.
Não gosto de me sentir só, não gosto de ter frio, não gosto...
Mamã???
Papá???
Porque não vêm???
Basta eu respirar de uma forma um pouco diferente, e vocês aparecem logo, basta eu choramingar levemente, que os vossos olhares entram dentro do meu espaço e protegem-me!!!
Estou aqui, ou julgo estar...algures onde costumo estar. Ainda está de noite, vejo umas nuvens negras, o meu quarto está diferente, os desenhos não estão nas paredes os móveis...para onde foi tudo.
O coração que eu fiz para ti mamã, está no chão...
Tanta água espalhada, o que se passa???
Porque tardo a acordar deste sonho, porque apesar se ser noite o sol aparece mesmo por breves rasgos???
Papá quero acordar e ir contigo ao jardim!!!
Papá porque estás a dormir no chão???
Mamã acorda...
Mamã...

sábado, 9 de agosto de 2014

Sentar contigo...

Gosto de me sentar contigo e ouvir as tuas histórias...
Histórias leves como o teu pensamento, que me dizem tudo sobre o teu olhar.
As tuas rugas...tanto que falam em silêncio, os teus cabelos que começaram a dançar ainda eras um pequeno anjo, e nunca mais pararam.
As tuas mãos dois livros de encanto, suaves, meigas e sempre sedosas.
Gosto que gostes de mim.
Caminho descalço na rua, o chão está rugoso e quente, o ar está pesado, tenho sede, tenho saudades do passado.
Tenho saudades do tempo, que partilhava contigo, tudo aquilo que agora tenho saudades.
A vida, o que é a vida sem ti?
Estou a ouvir o teu sorriso, onde estás meu amor??? Estou a sentir os teus passos, onde...parecem cada vez mais distantes!!!
Agora sim ouvi, sim ouvi o meu nome, onde estás amor???
Mas...eu já nem me lembro do meu nome, como posso saber se é a mim que chamas.
Deixei de ouvir, quando deixei de ver, de comer de dormir.
Tudo sem ti é igual a nada, o nada sem ti para mim é tanto...
Este aroma, é teu...estás ai???
Não vás, encosta a tua face à minha, os teus lábios aos meus e deixa-me sentir a tua respiração.
Deixa-me viver aqueles momentos, em que passávamos longas horas a olhar o infinito, e a pensar o quão infinito era o nosso amor.
Porque me chamas e não vens para junto de mim, porque oiço as tuas lágrimas a cair junto de mim, e não sinto as tuas mãos???
Sinto o teu vestido a dançar ao vento mas...
Dói-me a garganta, estou sem forças, os meus cabelos estão longos e secos, a minha pele já não é a que conhecias.
Representa o mapa do meu sofrimento.
Vou ficar aqui, a pensar em ti aí, onde???

Nelson Ramgi Brito




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As tuas lágrimas...

Existem rios que secam, outros que correm eternamente...
Existem dores que passam, outras que nos deixam dormentes,
Existem sorrisos, que são como as histórias ficam para sempre!!
Momentos são aqueles que vivemos com o coração, aqueles que nos preenchem por dentro e que dão valor à razão!!
Gosto de todos os momentos que passei contigo, senti em ti o meu porto de abrigo.
Grito bem alto o teu nome, mas o vento enraivecido, come todas as minhas palavras.Foste a minha lua e o meu Sol, a minha vontade de sorrir e também de amar, foste aquela estrada inacabada, coberta pelas sombras das árvores da vida, ramos de bambu que de tão espessos me separam de ti!!!
Tento chorar e nem isso consigo fazer, pois o frio congela o meu sofrimento...
Quando num pequeno rasgo de alegria penso que te estou a ver, os raios de sol transformam a minha miragem em fumaça.
Não me apetece ficar sem ti, eu não quero nem vou ficar sem ti.
Vou navegar no meu barquinho a remos, furar a neblina, pegar no sol e rasgar o frio de modo a descongelar o sofrimento. Cortar o bambu com o olhar, dar alento à vontade que tenho de te amar.
Quando te tenho nos meus braços sinto a tua energia a percorrer todo o meu corpo, e oiço sem sair uma palavra dos teus lábios, todas as mil e uma maneiras de conjugar a palavra amor.
Quero lutar para secar todas essas lágrimas que percorrem os teus olhos, nem que para isso te tenha que dar os meus, para tu saberes que são teus.
E veres que em cada lágrima tua, estava um pedacinho de mim...


Nelson Ramgi Brito


#ramgi

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Olhos de mãe...

Estou a dormitar...
Ao longe oiço pingar, um ruído estranho e que não me deixa entrar num sono profundo.
Quando me levanto, vejo que estou mergulhada nos meus próprios pingos, de sangue, de dor, de inexistência, de perda, de tudo e de nada.
Quanto mais me tento limpar, mais suja fico, como é possível sair tanta coisa de um corpo, que secou em poucos minutos...
Não quero ver, não quero ouvir, não quero sentir, não quero nada, não quero ninguém que possa ter, apenas quero o que perdi...
Onde estás???
Dá-me a tua mão, puxa-me para perto de ti.
Quero ouvir o som que ouvi pela primeira vez, quando sujo de mim te aconchegaste no meu peito, quero que chores, que grites, para eu te poder ajudar, para eu tua mãe te poder salvar.
Como???
Porquê???
Eu estive uma vida inteira alerta, e agora...tu tinhas as tuas próprias armas, que eu afiei ao longo destes anos e...
Filho, sempre te ensinei que nunca se deve desistir sem uma boa luta, sem um grito de guerra, e quando a batalha é difícil, devemos sempre ter alguém ao nosso lado. E eu estava ali, eu estava sempre ali...porquê???
Não sei se tens frio, se choras, ou se pensas em mim.
Sinto que estas perto mas onde, onde é esse perto tão distante?
Se me consegues ver, olha para os meus olhos e lembra-te do que dizias sobre eles, que eu era linda e que adoravas o meu sorriso.
Agora já não tenho nada disso, tudo secou dentro de mim!!!
Ainda me recordo das longas horas que passavas a mexer nos meus cabelos, e dizias que querias ser lindo como eu...e conseguiste.
Mas agora, estou um trapo um reflexo triste do que era, um mar de dor e de desejo que voltes.
Gosto de ir para a praia, nas poucas forças que me restam e olhar para o mar. Sentir aquele cheiro salgado que tinha a tua pele, aquele sabor a vida, sempre a chegar e nunca a partir.
Vou ter que aprender novamente a andar, a comer, e depois ao fim de algum tempo a sorrir, será que estes olhos de mãe, conseguirão um dia sorrir, espero que sim, pois o nosso passado... merece que me recorde dele com um sorriso!!!


Nelson Ramgi Brito

#OlhosdeMãe



sábado, 2 de agosto de 2014

Amo...

Amo e vivo o que não vives por não me ter, corro sem correr atrás de ti para não te perder!!!! Complico o que é simples, somente porque acordo sem viver!!!
Vivo uma vida multiplicada e judiada por somas e subtracções.
Tenho o olhar repleto do que não tenho, por isso pareço percorrer um deserto de visões, almas perdidas a vaguear numa mente distorcida, pelo desespero de uma vida que não é vivida.
A chuva envolve-me num remoinho, que me puxa para onde me queres mas eu não posso ir.
A minha vida é uma pauta musical em que eu tão depressa sou dó como fá, um fado silencioso sem retorno!!!
A minha escrita é um aglomerado de erros de acentuação e más conjugações verbais, mas...porque tenho eu de escrever direito, quando vivemos uma vida carregada de erros???
Prefiro errar a escrever, que viver a errar. Prefiro viver só sem dó, do que viver eternamente acompanhado pelo fado!!!
Não quero chegar ao cruzamento sem saber para que lado ir, nem quero ir para onde me levem. Quero ser um eu, que não foge da linha nem deixa que lha  tracem!!!!
Voar como quem vai e não volta, envolto numa batota que só faz quem joga.
Amo e vivo o que sou, sou vida, amizade, verdade.
Sou um coração que bate, bate por ti por todos, pela vida.
Uma alma perdida, para muitos que não compreendem o que é para mim a liberdade.
Uma vaidade de sentimentos despertos por aromas da viva.
Um bailado de cores em tons baços que só quem ama compreende, e consegue decifrar os enigmas aí inseridos.
Misteriosos recantos amaldiçoados, por invejas e conspirações. Mas que eu protejo religiosamente para quem amo, para quem gosto e trato com carinho.
Na palma da minha mão cabem todos aqueles que amo, todos aqueles que chamo e declamo aos 7 reinos,
bravos guerreiros da amizade, do amor, que eu simplesmente amo... 

Criança sem sonhos...



Quando olhares para mim não penses de onde venho, qual é a minha raça ou a minha religião!!! Pensa em mim como a coisa mais simples deste mundo, uma criança.
Pensa em mim como a valsa que dançaste no dia do teu casamento.
Pensa em mim e faz das minhas lágrimas as tuas!!!
Quero viver, ser feliz, ser criança.
Quero poder descobrir o Mundo, saltar nas estrelas e beber o amor que partilhas com os teus.
Não quero que o meu coração cresça de pedra, mas quero construir a minha vida, pedra a pedra.
Será pecado pedir para crescer, será que se chorar bastante as lágrimas secam e posso começar a sorrir???
Será que tens um beco no teu coração, onde me possa esconder e viver um pouco da tua felicidade???
Serei eu de outro mundo, e por isso não me permitem viver aqui???
Olhem, não sou um bicho, sou parte de vós!!!
Estou farta de chorar sangue, vida não é briga, não é luta e muito menos guerra!!!!
Será que podes estender-me a mão...
Apenas quero ver alguém a sorrir para mim, eu aprendo...

Nelson Brito